Quando você não quer chorar, você sente a lágrima se formar. Ela começa a se formar na garganta que começa a ficar fechada e salgada. E fica difícil de soltar a respiração sem que elas não pulem dos seus olhos.
Depois que você começa, é quase impossível parar e todas as suas sensibilidades começam a se eletrizar e se chocar umas com as outras e tudo o que você faz depois disso é chorar.
Quando se tem de chorar em silêncio dói a corda vocal que tem vontade de colocar para fora a dor que está ali dentro e pior do que chorar em silêncio, é disfarçar. E lá vou eu no domingo ao meio dia – bem na hora do almoço de família – colocar meu rosto em uma toalha úmida e chorar. Chorar em vez baixa e sufocada para tentar exorcizar a vontade de chorar aos gritos. Chorar fazendo compressas nos olhos e nariz para não deixar inchar.
E depois deixar o rosto embaixo da torneira até conseguir fazer as lágrimas entenderem que estão perdendo para a velocidade da água corrente.
Antes de se misturar as outras almas humanas, as pessoas que julgariam seus problemas tão ridiculamente menores é só passar uma base bege clara e cobrir todas as sardas, e as manchas mais vermelhas depois de tentar colocar para fora um pouco do desespero que grita dentro.
Ser mulher é tão difícil que me dá até vontade de chorar.












