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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Esse mundo também é meu.


Nós somos amigas de longa data.
Longa data mesmo. Mais precisamente 11 anos.
Eu me distanciei nos últimos anos, mas eu me arrependo.
O bom é que ainda é tempo de reaproximar e o melhor, é que os danos são pequenos.
Ao longo desse tempo todo eu pensei que a gente não combinava ou não pertencia ao mesmo mundo, mas eu estava enganada.
Nós pertencemos ao mesmo mundo sim.
Ao mundo onde as amigas de verdade duram para sempre independente das diferenças ou da distância.
Ontem me reuni com todas elas e com as adjacencências que vieram com o tempo: me senti muito bem.
Fiquei até o final, com brilho nos olhos de estar ali e de ver a evolução de todas nós e de como quando a gente começa a conversar ainda somos as meninas de 15 anos que catavam "A fulana roubou pão na casa do João..." no ônibus dos passeios da Disney.
A nossa história é bonita e digna de ser contada, valorizada.
Eu estou muito feliz por saber que mesmo sendo tonta e me afastando, tem um espaço para mim lá dentro e que a minha "cadeira" nunca foi ocupada por ninguém. É muito bom poder ser a Cho de vez em quando e saber que eu pertenço àquele mundo e que aquele lugar é meeeeeeeeu, e ninguém vai me tirar.

Ai amigas, eu amo vocês....!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sequelas.


Quando criei esse blog tinha uma finalidade. Hoje em dia nem é mais para isso.
As vezes tenho vontade até de mudar o título, mas não vou.
Eu não sou mais uma sofredora convicta.
Mas lendo Comer, Rezar e Amar não tive como não querer destacar esse trecho:

"O vício é a marca de toda a história de amor baseada na obsessão. Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nunca ousou admitir que queria - um explosivo coquetel emocional, talvez, feito de amor estrondoso e louca excitação. Logo você começa a precisar dessa atenção intensa com a obsessão faminta de qualquer viciado. Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise de abstinência (sem falar no ressentimento para com o traficante que incentivou você a adquirir seu vício, mas que agora se recusa a descolar o bagulho bom - apesar de você saber que ele tem algum escondido em alugum lugar, caramba, porque antes ele lhe dava de graça). O estágio seguinte é você esquelética e tremendo em um canto, sabendo apenas que venderia sua alma ou robaria seus vizinhos só para ter aquela coisa mais uma vez que fosse. Enquanto isso, o objeto de sua adoração agora sente repulsa por você. Ele olha para você como se você fosse alguém que ele nunca viu antes, muito menos alguém que um dia amou com grande paixão. A ironia é que você não pode culpá-lo. Quero dizer, olhe bem para você. Você está um caco irreconhecível até mesmo aos seus próprios olhos.
Então é isso. Você agora chegou ao ponto final da obsessão amorosa - a completa e implacável desvalorização de si mesma"

 Simplesmente e exatamente a tradução de tudo que eu já senti, sofri e passei e joguei fora.
Para sempre.

sábado, 22 de maio de 2010

Desculpa se te chamo de amor.

E eu me pego lendo um livro que me faz reviver muitos momentos que já estão guardados dentro do baú de velhas lembranças inesquecíveis, onde eu guardo tudo que merece ser lembrado porque me faz ser quem eu sou.

"Eu tinha 17 anos, usava uma bolsa branca com alça de madeira e flores cor-de-rosa, carregava lá dentro um celular, umas notas de 50 da minha gorda mesada e um material de estudo pré-vestibular.
Ele estava morando em Curitiba temporariamente, tinha 33, trabalhava para o meu  pai e tinha uma noiva que morava além da fronteira, ali em São Paulo.
Acho que a abordagem foi minha, mas tenho certeza que o provocador da situação foi ele. Hoje fico pensando e tentando entender o que ele via quando olhava para mim. Eu era magra, sem corpo de mulher ainda, usava cabelo no ombro sempre escovado, só usava tênis e botas de cadarço e sempre que ele me via estava cercada por meus pais e meus irmão mais velhos. Eu era só uma criança que fazia farra com as minhas amigas. Mas ele via alguma coisa em mim.
E isso nos levou a um ponto insustentável com ligações no meio da tarde, com sentimentos sufocantes.
Tudo começou naquele sofá e acabou com gritos pelo celular. Uma mágoa ardida que deixou cicatrizes, me tornou desconfiada e medrosa.
Não foi uma história ruim. Foi uma história linda antes de ficar salgada (que era o gosto do meu rosto todos os dias após nossos encontros, as vezes de suor e as vezes de lágrimas, outras dos dois).
Eu experimentei tudo de bom e de ruim matéria de relacionamento e foi a primeira vez que as minhas borboletas se tornaram mariposas.
Ele foi embora e nunca esqueci nossa história, nem sequer o cheiro do perfume que eu usava para ele. Com certeza ele nunca me esqueceu. Eu sei que ainda lembra do sofá, da janela, dos banquinhos do bar daquele apartamento onde nós deixamos nossas marcas.
Hoje eu tenho 24 e ele 40. QUARENTA ANOS. É casado e tem uma filhinha chamada Lara. Eu? eu não sou mais uma magrelinha pré-vestibular e nem passa pela minha cabeça a forma como a nossa história foi acontecer, porque ela só parece as páginas de um livro que outra pessoa escreveu"