E de uma forma ou de outra, me parece que a minha visão ficou turva.Como se apenas as certezas que eu já tinha antes, ainda fossem certezas e as outras coisas todas fossem novas e inexploradas e eu comecei a ter dificuldades de entender sozinha o que eu deveria fazer com o meu tempo livre?
Será que as amizades realmente não são definitivas? Será que o que importa mais é o amor de outra pessoa? Ou melhor.... será que realmente o que importa nessa vida é ter alguém para dividir suas conquistas ou fracassos pessoais? Mesmo quando não se ame esse alguém, mesmo quando não se quer tanto assim dividir suas conquistas ou fracassos pessoais?
Foi tão difícil optar pelo vazio, que foi como se eu tivesse sido forçada à optar por isso. Mas não fui. Escolhi isso porque prefiri o vazio a estar com uma pessoa que sabe pouco de mim ou que goste de jogos, ou pior, que goste dos jogos que eu não sei jogar. Prefiro o vazio do que uma pessoa que não compreende a minha personalidade, o meu jeito bom e ao mesmo tempo não tão bom de ser.
Prefiro continuar esperando encontrar alguém que simplesmente saiba que eu adoro roupas amarelas mas nem sempre eu posso usar. Prefiro continuar esperando pela pessoa que me pega no colo porque me acha realmente leve, que se oferece para fazer as coisas, que me busque em casa sem dizer que eu moro longe, que me deixe amar os meus amigos mais do que eu me amo sem reclamar, que goste de cerveja, vodka, morango, chocolate, coca-cola, internet, roupas, escovar os dentes andando pela casa, dormir no domingo a tarde, brincar de mimica ou que pelo menos entenda que eu gosto de tudo isso. Uma pessoa que me aceite do jeito que eu sou e que não tente mudar na minha essência.
No máximo que queira criar novos hábitos e que esse hábitos sejam para dois. E que goste de me beijar na boca e me mostrar para as pessoas que eu sou DELE.
Mas enquanto esse principe encantando não vem no seu cavalo branco, eu prefiro ficar com o meu vazio, que eu preencho com outras coisas que talvez sejam mais importantes e mais cheias de amor e de satsfação do que o homem perfeito.
O vazio me deixa aprender coisas sobre mim, coisas que eu jamais poderia aprender se estivesse cheia demais.



